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A Ética nas relações humanas
Eu não acredito que um indivíduo sem virtudes seja capaz de ser ético, mesmo porque, dentro de seu universo de vícios, de que serviria a ética? Em conseqüência, as relações viciosas entre os indivíduos jamais ajudarão a construir uma sociedade melhor.

Certa vez observei a mãe de um adolescente que, após ter tomado conhecimento de que a atitude do filho, praticada com anuência de uma pessoa legalmente responsável, iria gerar um prejuízo monetário, mais que rapidamente afirmou:
- Ah! Mas então, quem tem que assumir toda a responsabilidade e pagar o prejuízo é o maior, já que meu filho é menor e sabia que não o autorizo a fazer o que fez.

Ocorre que o filho da senhora em questão tinha dezesseis anos e certamente, sabia diferenciar o certo do errado, poderia ter dito “não” para o amigo, mas ao contrário, não o fez. No fundo no fundo, até ela sabia disso, mas, ela nem quis saber de usar peso e medida adequados no julgamento da situação. Já que a questão envolvia um prejuízo material, que fosse no bolso de outro. Isso acontece porque o ser humano tem o péssimo hábito de achar que a justiça deve atuar da porta de sua casa para fora. Dentro, só quando sua privacidade estiver ameaçada.

É interessante também notar, o quanto o ser humano é intolerante com os outros, mas em casa, como diz a expressão popular: “A coisa corre frouxa”.

Para mim outra questão de fundamental importância é o sentimento de gratidão. Não é incomum observar pessoas que vivem pedindo a Deus que Ele afaste obstáculos de seu caminho. Algumas pessoas pedem para manter longe o vizinho, o cunhado folgado, o chefe... E por aí vai. Pessoas assim geralmente se fecham numa relação individualista com Deus onde ninguém mais entra. Agradecido mesmo, é aquele que sabe valorizar as pessoas e circunstâncias que lhe colocam obstáculos no caminho. E se a pessoa é tão egoísta que não sabe a forma correta de agradecer, quanto mais repartir.

Atitudes como estas fazem com que os indivíduos, aos poucos, se tornem indiferentes ao sofrimento dos outros e quando isso acontece, é sinal de que nos esquecemos que temos todos a mesma origem e que vamos, infalivelmente, para o mesmo lugar.

A verdade é que as pessoas vêm se tornando cada vez mais egocêntricas, mas se esquecem de que não mais existem, hoje em dia, grandes palcos onde possam atuar. No máximo, cada um tem o seu caixote. E nessa onda de discurso, tem aqueles que acreditam que arrogância é sinônimo de superioridade.

A humildade é para mim, o primeiro grande passo para a sabedoria. Humildade não é sinônimo de pobreza, nem material, nem espiritual. A atitude humilde nos aproxima de situações e pessoas que nos ensinam grandes lições. Somente a atitude humilde consegue fazer com que o indivíduo deixe de olhar para dentro de si mesmo, e passe a olhar dentro dos olhos das outras pessoas. E é dentro destes olhos que se encontram os maiores segredos que precisamos aprender: Os segredos da alma.

É uma dedução lógica que quanto mais virtudes acumularem as pessoas, melhor se torna o convívio entre elas, mas uma profunda reflexão sobre o senso de justiça, a tolerância, a gratidão, a generosidade, a compaixão e uma das mais nobres virtudes, a humildade, já é um bom começo para todos nós.

E para terminar, deixo uma frase atribuída a Sócrates por Platão, para reflexão:
“Ao invés de tapar a boca dos outros, prepare-se para ser o melhor possível”.
Carmem L Marcos
Enviado por Carmem L Marcos em 04/07/2007


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